homem observa o horizonte do alto de um prédio

O que são horizontes de inovação e como aplicá-los no seu negócio

Horizontes de inovação são um framework muito utilizado para a gestão e balanceamento do portfólio de inovação das empresas. Eles existem para melhorar as atividades que trazem retorno financeiro para a empresa hoje. Valem também para engajar a empresa com as oportunidades de médio e longo prazo. Com isso, tornam a empresa à prova de futuro e evitam sua disrupção.

Entendendo a curva “S” da inovação

Antes de entendermos o que são os horizontes de inovação, precisamos conhecer o conceito da curva “S” como a vida de um negócio.

No conceito da curva S, como demonstra o gráfico abaixo, existem 3 períodos. São eles:

  1. Pesquisa: muito investimento e pouco progresso.
  2. Market Fit: período de crescimento acelerado.
  3. Maturidade: crescimento de receita e de lucro.

Estes períodos são muito correlacionados com tipo de investimento e investidor/parceiro que as iniciativas possuem.

Negócios em fase inicial, que estão no período Pesquisa, tendem a ficar mais focados em Universidades, Aceleradoras, Incubadoras, Laboratórios de Pesquisa e Labs de Inovação Corporativa.

Negócios em fase de Market Fit, no entanto, têm ao seu lado Venture Capitalists, Corporate Venture Capitalists, Corporações com programa estruturado de Open Innovation.

Por fim, negócios na fase de Maturidade tendem a ter investidores como private equity, corporate venture capital e empresas na fase de M&A.

Por que empresas precisam cultivar e se engajar com a inovação

As empresas estabelecidas que vêm crescendo por um longo período e se mantendo competitivas são aquelas capazes de criar novas fontes de crescimento de receita e de lucro. 

Essas empresas semeiam a cadeia de inovação desde a fase de pesquisa. É nessa etapa inicial que elas se engajam com a disrupção e cultivam relacionamentos com startups, investindo, contratando, acelerando, fazendo parcerias, ajudando, virando cliente, fazendo PoCs (Provas de Conceito).

Tudo isso ocorre até que elas enxergam uma oportunidade em estágio de maturidade suficiente para sincronizar a inovação com sua operação e colher os lucros na fase de receita.

Ou seja, a empresa que quiser ser inovadora precisa nutrir constantemente iniciativas de inovação que estão em estágio inicial e médio para colher resultados na fase de maturidade.

Curva S na indústria de tecnologia 

Um exemplo interessante para analisarmos a curva S seria o da própria indústria de tecnologia. A imagem abaixo mostra os vários ciclos de inovação pelo qual a indústria passou e também as empresas que surgiram em cada período.

Entendido o conceito da curva S, podemos abordar os horizontes de inovação. 

Os três horizontes de inovação

Os horizontes de inovação são uma forma de a empresa se organizar para atingir objetivos estratégicos que têm impacto em três horizontes ou linhas de tempo. 

  1. Horizonte 1: core da empresa  
    Utilizar tecnologia para melhorar produtos existentes para consumidores existentes.
  2. Horizonte 2: adjacentes
    Criar novas linhas de negócios para a empresa
  3. Horizonte 3: transformacional ou disruptivo
    Desenvolver soluções para mercados que ainda não existem ou mudar drasticamente a forma como a atividade é feita atualmente.

O quadrante abaixo traduz bem essa relação e deve ser utilizado para gerenciar as iniciativas.

Para o conceito ficar ainda mais claro, vou dar alguns exemplos bem simples de H1, H2 e H3.

  • H1: você utiliza um chatbot para atender consumidores existentes. O chatbot é algo que otimiza uma das atividades core da sua empresa para clientes existentes.
  • H2: você é um fabricante de tratores e percebe que pode acoplar sensores a eles. Com isso, pode vender aos seus clientes um serviço de manutenção preditiva das máquinas. Este é um negócio incremental para a empresa.
  • H3: existem diversos exemplos famosos e batidos na internet sobre H3, como Kodak, Blockbuster, Netflix, Uber. Toda vez que sua empresa mapear uma iniciativa que muda as regras do jogo, ou seja, um autêntico H3, é preciso criar conexão ela e JAMAIS menosprezá-la. 

Como gerenciar horizontes de inovação

A consultoria McKinsey recomenda que as empresas foquem 70% das iniciativas no H1, 20% no H2 e 10% no H3. Eu concordo que esse possa mesmo ser o caso para a maioria das grandes empresas. Ainda assim, acredito que cada empresa e cada modelo de negócio tenha que definir o peso que quer dar a cada horizonte. Por isso é tão importante ter uma tese de inovação aliada à inteligência para inovação .

Vamos tomar a Shell como exemplo. Acredito que ela deva focar mais do que 10% das iniciativas de distribuição em abastecimento de carros elétricos,  que estaria no seu H3.  Afinal, essa novidade que muda as regras do jogo para ela e não é algo simples de fazer. Envolve hardware, software e muitos acordos com órgãos legislativos.

A forma com que você gerencia o Horizonte 1, é diferente da forma que gerencia o Horizonte 2, que é diferente da forma que você gerencia o Horizonte 3. Portanto, o desafio está em gerenciar os 3 horizontes ao mesmo tempo e engajar as pessoas necessárias em cada um deles.

H1 precisa de engajamento das áreas de negócio

Para o H1, você precisa ter o engajamento dos líderes das áreas de negócio. Aqui, a mudança é pequena e normalmente focada em produtividade. Os investimentos também são pequenos. Normalmente estamos falando de digitalizações que já têm certa maturidade de desenvolvimento.

CEO deve endossar principais discussões do H2

Para o H2 o mais importante é ter desenvolvimento corporativo apoiando as iniciativas. Também é preciso ter  participação do CEO para endossar as principais discussões. Os gastos para testar estas iniciativas já são moderados. E existe um risco moderado caso a iniciativa falhe.

H3 exige participação ativa do CEO e do nível C

O H3 exige participação ativa do CEO e do nível C. Aqui estamos tratando de uma potencial disrupção da empresa, que não será levada a sério caso os C-levels não estejam engajados. Além disto, é normalmente no H3 que os gastos são mais altos e não estão previstos no budget.

Um dos objetivos principais do H3 é tornar a empresa à prova de futuro! Isso envolve um aspecto cultural muito forte. É preciso tentar quebrar o próprio modelo de negócios, o que é claramente mais um motivo para engajar o CEO. Também é preciso não ser reativo na disrupção. 

Para que tudo isso aconteça deve haver um esforço para trazer as iniciativas do H3 para o H2. Ou seja, a empresa deve tornar iniciativas imaturas comercialmente viáveis, ainda que possam quebrar seu próprio modelo de negócios.

Métrica financeira para projetos de inovação 

Por fim, como a maioria das empresas exige uma métrica financeira atrelada aos projetos de inovação, segue uma métrica mais justa para cada fase. 

Aqui vai:

  • H1 – ROIC (Return on Invested Capital)
  • H2 – NPV (Net Present Value)
  • H3 – Option Value

Depois de tudo isso, vale ressaltar que os horizontes de inovação são um dos principais frameworks utilizados para inovação corporativa com startups. E é por meio desses novos players que empresas tradicionais conseguem acelerar seu processo de inovação ao mesmo que reduzem riscos. 

Se quiser saber como acelerar a transformação digital da sua empresa com startups, entre em contato comigo pelo contact@innovationintelligence.ai. Eu e meu time teremos prazer em ajudar!