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Manual do ecossistema de inovação aberta para corporações

Inovação aberta pode ser definida de diferentes formas dentro das empresas. Ela pode se tratar da adoção de novos produtos, novos processos. Também pode estar relacionado ao acesso a novos mercados, à transformação cultural, a novas abordagens que trazem retorno financeiro e eficiência, entre outros benefícios.

Mais do que nunca, a inovação está na pauta da maioria das empresas do mundo. Consequentemente, o ecossistema em que essas empresas estão inseridas tem que se adaptar.

Como funciona o ecossistema de inovação aberta

Neste artigo, você vai entender como funciona o ecossistema de open innovation sob a ótica de uma corporação, quais são os players envolvidos e seus respectivos papéis e responsabilidades. 

A imagem abaixo é ilustra o funcionamento do ecossistema de open innovation. A partir desse mapa, a empresa consegue pode avaliar seus pontos fortes e fracos e, partir dessa análise, elaborar sua estratégia de inovação externa.

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Qual a relação entre inovação aberta e governo 

O governo tem a responsabilidade de legislar, adaptando políticas e regulamentos, para que a inovação aberta aconteça. 

No Brasil temos a Secretaria de Inovação e Novos Negócios (SIN), que  trabalha na melhoria do ambiente de inovação para favorecer o empreendedorismo inovador e todo o ambiente de investimento privado em startups no país. 

Ela tem duas principais iniciativas:

  • InovAtiva Brasil, programa gratuito de aceleração em larga escala para negócios inovadores, com possibilidade de investimento, mentoria e treinamento.
  • Marco Legal da Inovação: criado com o objetivo de melhorar o marco legal de ciência, tecnologia e inovação. A SIC entende que é fundamental melhorar o arcabouço legal relativo ao capital de risco porque acredita que startups não florescem sem um ecossistema propício em volta. Eu concordo.

Além destes programas, o governo investe em fundos de pesquisa.

Como fundos de pesquisa impulsionam a inovação aberta

No Brasil, um exemplo de Fundo de Pesquisa é a Finep Startup, da Finep, agência pública que financia a inovação, desde a pesquisa básica até a preparação do produto para o mercado.

Os objetivos do Finep Startup são: 

  • fortalecer o Sistema Nacional de CT&I por meio de apoio a um segmento empresarial de alto dinamismo tecnológico;
    • disponibilizar recursos financeiros e conhecimento para empresas com alto potencial de crescimento e retorno;
    • promover o crescimento do mercado de capital semente no Brasil;
    • estimular o investimento privado por meio de investidores-anjo

Há também fundos focados especificamente em universidades, diversos deles com orçamentos que ultrapassam bilhões de reais. Um exemplo é o programa “Future-se”, do MEC, que permite às universidades o acesso a R$ 102,6 bilhões.

Qual o papel do Venture Capital no ecossistema de inovação

Um dos principais atores no ecossistema de open innovation é o Venture Capital. Trato aqui como Venture Capital todos os investidores que aportam capital de risco em startups – fundos de VC, investidores anjo, aceleradoras, private equity, corporate venture capital e fundos de venture capital com as mais diversas teses de investimentos.

Os VCs investem em startups em que, além do capital investido em troca de equity, podem emprestar seu expertise para ajudar os empreendedores a serem bem sucedidos. 

Normalmente um investidor de risco aplica seu capital em negócios que conhece bem, em indústrias com que tem relacionamento e onde pode ajudar o empreendedor emergente a encontrar talentos, superar problemas técnicos e de negócio. Afinal, ele, como acionista, é um dos maiores interessados no sucesso da empresa. 

Um movimento interessante que já existe nas melhores universidades do mundo é a criação de fundos de Venture Capital para financiar ideias de alunos brilhantes que são desenvolvidas dentro da universidade. 

Esses fundos existem para resolver um problema comum para startups que nascem no ambiente acadêmico. Estas startups são baseadas em tecnologias que requerem mais tempo e recursos para se desenvolver do que uma startup tradicional, nascida no setor privado. Elas levam de oito a dez anos para chegar ao mercado. Consequentemente, o capital de risco regular, que espera retorno em cinco anos, na média, pode não ser seu parceiro de investimento ideal. 

Em Berkeley, tive a oportunidade de ver e participar de algumas coisas interessantes. Blockchain, por exemplo, que hoje é pauta em toda empresa do setor financeiro, era o assunto mais popular nos “clubes de nerds” de Berkeley e Stanford e contou com capital universitário para se desenvolver.

Qual a relação das universidades com open innovation

Universidades desenvolvem parcerias com empresas líderes, fundações e outras instituições intensivas em pesquisa. Essas parcerias não existem apenas para transferir conhecimento do laboratório para a prática. Elas fornecem fundos críticos para professores e alunos talentosos buscarem pesquisas fundamentais, permitem que alunos e professores troquem ideias com as melhores mentes dentro e fora da academia e – talvez o mais importante – ajudam a preparar os alunos para serem cidadãos de um mundo em rápida mudança.

Esta troca é muito proveitosa para as corporações, que encontram talentos, ficam próximas de tecnologias emergentes que podem  ser oportunidades ou ameaças para sua indústria e ainda captam conhecimento e muitas vezes até desenvolvem propriedade intelectual com a universidade.

Dentro das universidades foram desenvolvidas inovações como o CRISPR, tecnologia para edição genética descoberta por uma professora de Berkeley que hoje movimenta bilhões de dólares na indústria de biotecnologia.

Está claro que a universidade é indispensável para o desenvolvimento econômico e tecnológico de uma nação. É cada vez mais evidente também que ter universidades de ponta, com alunos dedicados, é indispensável para a produção de novas tecnologias e desenvolvimento industrial.

Por que a startup são o principal ator do ecossistema de inovação aberta

A startup é o principal ator do ecossistema de inovação. Não é à toa que existem diversos tipos de trocas entre empresas e startups. Empresas e startups comercializam produtos e fazem parcerias, têm relação de troca de conhecimento e também a relação de investimento. 

Seja qual for o tipo de conexão, a empresa que decide inovar por meio de startups, desde que faça isso da forma correta, pode encontrar soluções com muito mais agilidade do que aquelas tentam desenvolver tudo internamente. 

Para saber mais sobre o relacionamento no formato de investimento entre empresas e startups, sugiro a série de posts que escrevi sobre Como funciona uma Corporate Venture Capital (CVC)

Se sua ideia for se conectar a startups sem que essa conexão necessariamente envolva investimento, confira os posts:

Como organizações de pesquisa e tecnologia podem ajudar

O último item do ecossistema de inovação corporativa são organizações de pesquisa e tecnologia. São elas que ajudam startups e empresas a desenvolver soluções que precisam de tecnologias que muitas vezes ainda não estão disponíveis para o mercado ou exigem conhecimento muito específico. Um algoritmo específico, ou ainda um tipo de hardware que não existe e precisa ser fabricado e prototipado por experts são alguns exemplos.

A troca neste tipo de situação não é somente a venda de uma solução. Existem muitos pontos que são alinhados em relação à propriedade intelectual da descoberta e também negociações complexas que envolvem advogados para tratar de royalties de vendas.

Ao terminar este artigo, espero que você entenda como navegar entre os diversos tipos de conexões e qual o papel e a responsabilidade de cada player envolvido. Tentei criar um manual enxuto ecossistema para empresas que querem começar a criar sua estratégia de open innovation. Espero que ajude. 

 

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Se você quiser saber como acelerar a transformação digital de sua empresa com startups, entre em contato comigo pelo contact@innovationintelligence.ai. Eu e meu time teremos prazer em ajudar!