Teclado de notebook indica Venture Capital

Como funciona uma Corporate Venture Capital (CVC) – Parte 1

Estruturar uma Corporate Venture Capital (CVC) é o caminho natural de uma empresa que se conectou com startups, passou pela prova de conceito (PoC), validou a solução proposta e construiu cases de sucesso de implementação.

Diferenças entre Corporate Venture Capital (CVC) e Venture Capital (VC)

A principal diferença entre uma corporate venture capital e um venture capital está no objetivo estratégico. Ao investir em uma startup, um venture capital está apenas buscando retorno financeiro. Ele não espera se beneficiar de outra forma da inovação desenvolvida pela startup.

A corporação, por outro lado, quando investe em uma startup, geralmente não está priorizando o retorno financeiro, mas o retorno estratégico do investimento. Sua intenção é aumentar o valor da sua própria empresa no mercado. 

Existe uma frase muito famosa do Les Vadasz, que foi o primeiro líder da Intel Capital (CVC da Intel).

“Quando você faz uma deal [com a Intel Capital], você escreve este deal em um pedaço de papel. ‘O que nós fornecemos (Give) e o que nós ganhamos (Get)’. Quando Give e Get são apenas dinheiro em troca de % na startup, esta negociação não vai pra frente na Intel Capital.”

Les Vadasz, First Intel Capital Leader

Gives and Gets em uma Corporate Venture Capital

Para ilustrar o funcionamento de uma Corporate Venture Capital, vou usar exemplos da Intel Capital.

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O que são GIVEs da Corporate Venture Capital

Por natureza, startups não têm estrutura completa, principalmente na sua fase inicial. Não existe um departamento de RH ou de marketing em startups que estão em busca de product market fit. 

Uma CVC oferece esse tipo de apoio à startup. Além disso, como player já estabelecido, seu endosso no mercado traz muita confiança a potenciais clientes da startup. 

Abaixo segue uma lista dos principais “Gives” que uma CVC fornece à uma startup:

  • Acesso às ferramentas da Empresa (RH, MKT, IT);
  • Consultoria Financeira;
  • Base de Clientes;
  • Workshop/Networking;
  • Uso da Marca.

O que são GETs da Corporate Venture Capital

Em contrapartida, a empresa que estrutura uma CVC faz isso para alcançar seus objetivos estratégicos. Entre seus principais GETs estão:

  • Ecossistema: valorização de produtos 
    • A CVC investe em startups que estão construindo tecnologias que podem apoiar os produtos da empresa, ser vendidas com eles ou aumentar seu valor no mercado. 
  • Mercado: estímulo à demanda 
    • Esse investimento pode estimular a demanda por produtos da empresa em diferentes mercados. 
  • Tecnologias complementares
    • Por meio da CVC a empresa também pode investir em tecnologias que não tem interesse em desenvolver mas sabe que são promissoras.
  • Possíveis mercados rentáveis no futuro (Disrupção)
    • Investir em tecnologias disruptivas, ou seja, tecnologias e modelos de negócio que mudam completamente a forma como exercemos nosso poder de compra, mas que apresentam muitos riscos e desafios pelo caminho.

Para ilustrar alguns GETs, vamos usar alguns dos investimentos feitos pela Intel Capital.

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Ecossistema: investimento na Mobileye

A Mobileye acabou sendo adquirida pela Intel. No entanto, antes de fazer essa aquisição, a Intel Capital vinha investindo na startup que faz hardware para carros autônomos. 

A Intel entende a importância de participar deste mercado e, ao investir na Mobileye, fornece suporte para que a startup desenvolver hardwares utilizando processadores da Intel, adaptando sua própria equipe de desenvolvimento produzir processadores para carros autônomos. 

O “get” é claro: ao participar deste novo ecossistema, a Intel aumenta seu valor de mercado.

Mercado: investimento na CloudFX

A Intel Capital realizou um investimento na CloudFX, startup de cloud computing que fica em Cingapura. O interesse da empresa – e também o seu “get” – é ter acesso aos parceiros e clientes da CloudFX e estimular a demanda por produtos da Intel.

Tecnologias complementares: investimento na Precision Hawnk

Ao investir nesta startup de drones para as mais diversas indústrias, a Intel Capital entende que o mercado de drones é importante e relevante, embora não tenha interesse de produzir hardware para este tipo de equipamento. 

Ou seja, ao investir na startup ela tem o “get” de participar do mercado sem ter o custo de aprendizado e de operação.

Possíveis mercados rentáveis no futuro: investimento na Evolo

A Evolo é a responsável pelo Volocopter, um veículo aéreo autônomo elétrico que se propõe a resolver o problema da mobilidade urbana. 

Existem muitos riscos associados a esse produto, jurídicos principalmente. Se um Volocopter cai, de quem é a culpa? Da empresa de seguros, do hardware, do responsável pelo algoritmo? Porém, se o produto vencer obstáculos  tecnológicos, jurídicos e de mercado, podemos estar falando da forma como as pessoas vão se transportar no futuro. E isso vale muito dinheiro! Preciso explicar o “get”? 😉

Este é o primeiro de uma série de posts sobre como o funcionamento de uma Corporate Venture Capital. Confira os próximos nos links abaixo.

Como funciona uma Corporate Venture Capital (CVC) – Parte 2

  • Participação no board
  • Tipos de oferecidos apoio à startup
  • Diversificação de portfólio
  • Objetivos financeiros da CVC
  • Relação entre corporação, CVC e startups

Como funciona uma Capital de Risco Corporativa (CVC) – Parte 3

  • Quais as vantagens do investimento conjunto para a Corporate Venture Capital (CVC)
  • Recrutamento de Executivos

Como funciona uma Capital de Risco Corporativa (CVC) – Parte 4

  • Passo a passo para o investimento da CVC
  • Quais são as melhores Práticas em relação ao tipo de investimento da CVC

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